Luan Marçal

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sábado, 23 de janeiro de 2010

Presbiterato e vestes talares

Um presbítero da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil me mandou, recentemente, um scrap no Orkut, perguntando o seguinte:

Quanto às vestes talares de pastores e leigos, lembro-me (se não me falha a memória) que você indicou um "link" onde mostrava modelos das vestes. Minha pergunta é justamente o que foi discutido na comunidade "Liturgia" a respeito das vestes e o uso pelos Presbíteros, já que a vestimenta está associada ao título de quem a veste, ou seja, Reitor, Reverendo, Juiz, etc. e se para o presbítero poderia haver uma toga que diferenciasse das demais. Desde já, agradeço.



Bom, vamos por partes. O costume cristão bi-milenar é de que todos quantos tenham uma participação na condução do culto estejam trajados de modo a identificá-los como servos consagrados para essas tarefas. É por isso que em igrejas católicas romanas, ortodoxas orientais, anglicanas e luteranas, tanto os ministros como também o coro e os auxiliares (acólitos, ou "coroinhas") sempre tenham uniformes que os identifiquem como tal.

Para mim, isso não é clericalismo, ou uma negação do sacerdócio universal de todos os santos; é apenas um uniforme que identifica quem vai fazer o quê. Isso nivela os participantes, que não serão mais vistos ou identificados por seu gosto (bom ou mau) para roupas, ou pior, pelo seu nível social, perceptível nas marcas que se usa. Eu fiquei extremamente desconfortável na minha adolescência, quando participava do conjunto musical dos jovens, quando alguém da igreja comentou que parecia que só podia subir à frente e participar do conjunto quem vestisse roupas de griffe. E, se parecia, era porque era isso mesmo que se via; tirando eu, que, adolescente desleixado, só vestia calça jeans e camiseta Hering, o resto do povo (especialmente as meninas) parecia pronto para ir desfilar no shopping (que acontecia com freqüência depois do culto). Mas o que importa é que ninguém está ali para se mostrar, ou para ostentar seus gostos e posses pessoais. Por isso, o uniforme ajuda.

Mas tornemos à pergunta do amigo presbítero. Tecidas essas considerações sobre os uniformes dos servos que lideram o culto, isso fica ainda mais patente quanto aos presbíteros. Na minha infância, era comum que todos os presbíteros vestissem terno e gravata para a Santa Ceia. Até os anos 80, era uma coisa uniforme. Mas dos anos 90 para frente, quando mudou a moda no corte dos ternos, ficava aquela coisa ridícula (clique nas palavras para ver do que estou falando): ternos xadrez, quadriculados, gravatas berrantes que eram curtas demais ou compridas demais, com aquelas lapelas que chegavam nos ombros... Enfim, os presbíteros viraram motivo de riso, porque, fora de moda como estavam, pareciam palhaços! E por conta disso, abandonou-se completamente o uso do terno por eles, em todas as igrejas que eu conheço! O efeito disso é fazer parecer que os sacramentos não são mais tão importantes assim, pois para participar da sua ministração, eles estão vindo vestidos casualmente. Um presbítero (atualmente, pastor) que eu conheço, muito gente boa e cuja filha eu já paquerei (hehe), chegou ao ponto de ir de camisa havaiana florida. "Anunciais a morte do Senhor até que ele venha" passou longe desse dia...

Na minha opinião, é interessante que haja um uniforme também para os presbíteros regentes, que reflita que os sacramentos e ritos sacramentais dos quais eles participam (Sagrado Batismo, Sagrada Eucaristia, Profissão de Fé, Ordenação e, em alguns casos, a Unção dos Enfermos) são, em primeiro lugar, atos importantes na vida cristã e, em segundo lugar, atos da Igreja de Cristo (que têm o poder de ligar na terra e no céu, e desligar na terra e no céu).

Mas qual uniforme?

A toga preta no corte de Genebra tem sido reservada, como o amigo consulente mencionou, para aqueles que desempenham o papel de presidência: Reitores, Juízes e Ministros do Evangelho. Em algumas igrejas (sobretudo anglicanas reformadas), os Mestres-de-Capela, embora não sejam sempre ordenados, também a usam. Mas não tenho notícia de presbíteros regentes usando-a.

Vamos, então, nos voltar para a Igreja Cristã bi-milenar.

Na igreja dos primeiros séculos, criou-se o costume dos recém-batizados trajarem-se usando um talar branco, de mangas justas e gola redonda. Essa era a roupa mais formal em uso no Império Romano; em geral, usava-se togas mais curtas, às vezes mesmo sem mangas, como já cansamos de ver nos filmes. Essa túnica talar era especialmente formal, para uso em ocasiões especiais. Por isso, seu uso pelos recém-batizados: eles acabavam de ser incorporados à Igreja de Cristo, e isso, naqueles tempos de perseguição, parecia ter um significado bem mais forte do que hoje infelizmente se vê.

Esse traje foi uma das coisas que a Igreja Católica Romana conservou, apesar das mudanças da moda que as invasões bárbaras ocasionaram (uso de calças e calçados fechados, por exemplo...). É, ainda hoje, vestido nas igrejas (católicas e protestantes, indistintamente) que conservam a tradição cristã ocidental. É a chamada alba, ou alva (foto abaixo).



Ela não é de uso exclusivo de ministros ordenados, mas pode ser usada por todos aqueles que foram batizados em nome da SS. Trindade. Ela é, ainda hoje, usada como a primeira camada de pano dos padres católico-romanos, anglo-católicos e luteranos de high-church, e fica por baixo da casula, como eu já disse no primeiro post do blog.

Então eu creio que a alba é uma boa pedida para ser a base do uniforme dos presbíteros regentes. Mas não só ela.

Como a alba é de uso comum por todos os batizados (e eu acho curioso notar que, de todos os não-conformistas, justamente os batistas conservem o seu uso original, como roupa batismal!), talvez seja interessante adicionar um elemento distintivo, que indique à primeira vista qual a função do servo que a está usando.

Aqui, eu sou a favor do uso da estola de presbítero. Explico-me.

Na tradição da igreja ocidental, geralmente se reconhecem dois ofícios ordenados (diácono e presbítero) e um ofício consagrado (bispo hierárquico). Cada um deles tem a alba como vestimenta-base, mas cada um tem, também, acessórios que permitem identificar prontamente quem é o quê.

O bispo, por exemplo, por cima da alba veste casula e copa (uma espécie de capa), usa um chapéu conhecido como mitra e carrega na mão um cajado chamado báculo. Abaixo, uma foto do Bispo Diocesano de Paisley, na Inglaterra, e seu filho, que é deão da mesma catedral (obviamente, na Igreja Anglicana).


O diácono, por cima da alba veste a sua estola, que tem um design próprio, pendendo de um dos ombros e presa à ponta do lado oposto. Usada deste jeito, ela representa o serviço, lembrando a toalha de que o Senhor Jesus se cingiu para lavar os pés dos Apóstolos (foto abaixo).


Já a estola do presbítero (até a Reforma Protestante, não existia a diferenciação entre presbítero docente e regente) pende livremente, pendurada pelo pescoço. Ela representa o jugo do Senhor Jesus, que é suave (relembrando que "jugo" é sinônimo de canga, a peça que prende o boi para puxar o carro ou o arado). Serve também para lembrar o seu usuário de que ele é servo, e não senhor. Por isso, também prefiro as estolas simples, de tecido liso e bordado discreto, aos festivais de fios de ouro e brocados que se viam na Idade Média.

Interesante notar que, mesmo na conservadoríssima Presbyterian Church of America, muitos ministros têm trocado a toga genebrina pela alba, mantendo a estola. Abaixo, foto de dois ministros da PCA (no púlpito, o Rev. Jeff Meyers, de cujo site tenho tirado muita, mas muita coisa boa, confiram!).


Pois a minha proposta, para os presbíteros que estão a fim de adotar um uniforme, tanto para destacar a natureza eclesiástica da sua função (não é um casamento de cartório, não é uma audiência no fórum, para se usar terno e gravata) como para ressaltar a sua importância (porque não se vai de calça jeans e camiseta pólo para nada importante), é justamente essa: a alba com estola. Não está invadindo a prerrogativa exclusiva de ninguém (como seria se eles resolvessem vestir a toga de Genebra) e ainda respeita 2000 anos de tradição cristã!

Fonte: http://liturgiareformada.blogspot.com/2008/07/presbiterato-e-vestes-talares.html

domingo, 1 de novembro de 2009

As 95 Teses de Lutero

Musica Castelo Forte escrita por Marinho Lutero. Essa musica foi essencial na Reforma Protestante.

Em 31 de Outubro de 1517, Martinho Lutero afixou na porta da capela de Wittemberg 95 teses que gostaria de discutir com os teólogos católicos, as quais versavam principalmente sobre penitência, indulgências e a salvação pela fé. O evento marca o início da Reforma Protestante, de onde posteriormente veio a Igreja Presbiteriana, e representa um marco e um ponto de partida para a recuperação das sãs doutrinas.



Movido pelo amor e pelo empenho em prol do esclarecimento da verdade discutir-se-á em Wittemberg, sob a presidência do Rev. padre Martinho Lutero, o que segue. Aqueles que não puderem estar presentes para tratarem o assunto verbalmente conosco, o poderão fazer por escrito.

Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

1ª Tese

Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos...., certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo arrependimento.

2ª Tese

E esta expressão não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, isto é, à confissão e satisfação, a cargo do ofício dos sacerdotes.

3ª Tese

Todavia não quer que apenas se entenda o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de modificações da carne.

4ª Tese

Assim sendo, o arrependimento e o pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, a saber, até a entrada desta para a vida eterna.

5ª Tese

O papa não quer e não pode dispensar outras penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais.

6ª Tese

O papa não pode perdoar divida senão declarar e confirmar aquilo que Já foi perdoado por Deus; ou então faz nos casos que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida deixaria de ser em absoluto anulada ou perdoada.

7ª Tese

Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao sacerdote, seu vigário.

8ª Tese

Canones poenitendiales, que não as ordenanças de prescrição da maneira em que se deve confessar e expiar, apenas aio Impostas aos vivos, e, de acordo com as mesmas ordenanças, não dizem respeito aos moribundos.

9ª Tese

Eis porque o Espírito Santo nos faz bem mediante o papa, excluído este de todos os seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema

10ª Tese

Procedem desajuizadamente e mal os sacerdotes que reservam e impõem aos moribundos poenitentias canonicas ou penitências para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.

11ª Tese

Este joio, que é o de se transformar a penitência e satisfação, Previstas pelos cânones ou estatutos, em penitência ou penas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo.

12ª Tese

Outrora canonicae poenae, ou sejam penitência e satisfação por pecadores cometidos eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, com a finalidade de provar a sinceridade do arrependimento e do pesar.

13ª Tese

Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos para o direito canônico, sendo, portanto, dispensados, com justiça, de sua imposição.

14ª Tese

Piedade ou amor Imperfeitos da parte daquele que se acha às portas da morte necessariamente resultam em grande temor; logo, quanto menor o amor, tanto maior o temor.

15ª Tese

Este temor e espanto em si tão só, sem falar de outras cousas, bastam para causar o tormento e o horror do purgatório, pois que se avizinham da angústia do desespero.

16ª Tese

Inferno, purgatório e céu parecem ser tão diferentes quanto o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza.

17ª Tese

Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar o amor.

18ª Tese

Bem assim parece não ter sido provado, nem por boas ações e nem pela Escritura, que as almas no purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.

19ª Tese

Ainda parece não ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por ela, não obstante nós termos absoluta certeza disto.

20ª Tese

Por isso o papa não quer dizer e nem compreende com as palavras “perdão plenário de todas as penas” que todo o tormento é perdoado, mas as penas por ele impostas.

21ª Tese

Eis porque erram os apregoadores de indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo mediante a indulgência do papa.

22ª Tese

Pensa com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que segundo os cânones da Igreja deviam ter expiado e pago na presente vida.

23ª Tese

Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muito poucos.

24ª Tese

Assim sendo, a maioria do povo é ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas.

25ª Tese

Exatamente o mesmo poder geral, que o papa tem sobre o purgatório, qualquer bispo e cura d'almas o tem no seu bispado e na sua paróquia, quer de modo especial e quer para com os seus em particular.

26ª Tese

O papa faz muito bem em não conceder às almas o perdão em virtude do poder das chaves (ao qual não possui), mas pela ajuda ou em forma de intercessão.

27ª Tese

Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.

28ª Tese

Certo é que no momento em que a moeda soa na caixa vêm o lucro e o amor ao dinheiro cresce e aumenta; a ajuda, porém, ou a intercessão da Igreja tão só correspondem à vontade e ao agrado de Deus.

29ª Tese

E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com Santo Severino e Pascoal.

30ª Tese

Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento e pesar verdadeiros; muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos seus pecados.

31ª Tese

Tão raro como existe alguém que possui arrependimento e, pesar verdadeiros, tão raro também é aquele que verdadeiramente alcança indulgência, sendo bem poucos os que se encontram.

32ª Tese

Irão para o diabo juntamente com os seus mestres aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.

33ª Tese

Há que acautelasse muito e ter cuidado daqueles que dizem: A indulgência do papa é a mais sublime e mais preciosa graça ou dadiva de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.

34ª Tese

Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens.

35ª Tese

Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório ou adquirir breves de confissão não necessitam de arrependimento e pesar.

36ª Tese

Todo e qualquer cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indulgência.

37ª Tese

Todo e qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.

38ª Tese

Entretanto se não deve desprezar o perdão e a distribuição por parte do papa. Pois, conforme declarei, o seu perdão constitui uma declaração do perdão divino.

39ª Tese

É extremamente difícil, mesmo para os mais doutos teólogos, exaltar diante do povo ao mesmo tempo a grande riqueza da indulgência e ao contrário o verdadeiro arrependimento e pesar.

40ª Tese

O verdadeiro arrependimento e pesar buscam e amam o castigo: mas a profusão da indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça, pelo menos quando há oportunidade para isso.

41ª Tese

É necessário pregar cautelosamente sobre a indulgência papal para que o homem singelo não julgue erroneamente ser a indulgência preferível às demais obras de caridade ou melhor do que elas.

42ª Tese

Deve-se ensinar aos cristãos, não ser pensamento e opinião do papa que a aquisição de indulgência de alguma maneira possa ser comparada com qualquer obra de caridade.

43ª Tese

Deve-se ensinar aos cristãos proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados do que os que compram indulgências.

44ª Tese

Ê que pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não se torna melhor senão mais seguro e livre da pena.

45ª Tese

Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disto gasta dinheiro com indulgências, não adquire indulgências do papa. mas provoca a ira de Deus.

46ª Tese

Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem fartura , fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências.

47ª Tese

Deve-se ensinar aos cristãos, ser a compra de indulgências livre e não ordenada

48ª Tese

Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa precisa conceder mais indulgências, mais necessita de uma oração fervorosa do que de dinheiro.

49ª Tese

Deve-se ensinar aos cristãos, serem muito boas as indulgências do papa enquanto o homem não confiar nelas; mas muito prejudiciais quando, em conseqüência delas, se perde o temor de Deus.

50ª Tese

Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgências, preferiria ver a catedral de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.

51ª Tese

Deve-se ensinar aos cristãos que o papa, por dever seu, preferiria distribuir o seu dinheiro aos que em geral são despojados do dinheiro pelos apregoadores de indulgências, vendendo, se necessário fosse, a própria catedral de São Pedro.

52º Tese

Comete-se injustiça contra a Palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.

53ª Tese

São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a Palavra de Deus nas demais igrejas.

54ª Tese

Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.

55ª Tese

A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, que é a causa menor, com um sino, uma pompa e uma cerimônia, enquanto o Evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado mediante cem sinos, centenas de pompas e solenidades.

56ª Tese

Os tesouros da Igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados e nem suficientemente conhecido na Igreja de Cristo.

57ª Tese

Que não são bens temporais, é evidente, porquanto muitos pregadores a estes não distribuem com facilidade, antes os ajuntam.

58ª Tese

Tão pouco são os merecimentos de Cristo e dos santos, porquanto estes sempre são eficientes e, independentemente do papa, operam salvação do homem interior e a cruz, a morte e o inferno para o homem exterior.

59ª Tese

São Lourenço aos pobres chamava tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.

60ª Tese

Afirmamos com boa razão, sem temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, a ela dado pelo merecimento de Cristo.

61ª Tese

Evidente é que para o perdão de penas e para a absolvição em determinados casos o poder do papa por si só basta.

62ª Tese

O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.

63ª Tese

Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.

64ª Tese

Enquanto isso o tesouro das indulgências é sabiamente o mais apreciado, porquanto faz com que os últimos sejam os primeiros.

65ª Tese

Por essa razão os tesouros evangélicos outrora foram as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.

66ª Tese

Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.

67ª Tese

As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça decerto assim são consideradas porque lhes trazem grandes proventos.

68ª Tese

Nem por isso semelhante indigência não deixa de ser a mais Intima graça comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.

69ª Tese

Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda a reverência-

70ª Tese

Entretanto têm muito maior dever de conservar abertos olhos e ouvidos, para que estes comissários, em vez de cumprirem as ordens recebidas do papa, não preguem os seus próprios sonhos.

71ª Tese

Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.

72ª Tese

Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.

73ª Tese

Da mesma maneira em que o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos que em prejuízo do comércio de indulgências procedem astuciosamente.

74ª Tese

Muito mais deseja atingir com o desfavor e a excomunhão àqueles que, sob o pretexto de indulgência, prejudiquem a santa caridade e a verdade pela sua maneira de agir.

75ª Tese

Considerar as indulgências do papa tão poderosas, a ponto de poderem absolver alguém dos pecados, mesmo que (cousa impossível) tivesse desonrado a mãe de Deus, significa ser demente.

78 ª Tese

Bem ao contrario, afirmamos que a indulgência do papa nem mesmo o menor pecado venial pode anular o que diz respeito à culpa que constitui.

77ª Tese

Dizer que mesmo São Pedro, se agora fosse papa, não poderia dispensar maior indulgência, significa blasfemar S. Pedro e o papa.

78ª Tese

Em contrario dizemos que o atual papa, e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o Evangelho, as virtudes o dom de curar, etc., de acordo com o que diz 1Coríntios 12.

79ª Tese

Afirmar ter a cruz de indulgências adornada com as armas do papa e colocada na igreja tanto valor como a própria cruz de Cristo, é blasfêmia.

80ª Tese

Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas deste procedimento.

81ª Tese

Semelhante pregação, a enaltecer atrevida e insolentemente a Indulgência, faz com que mesmo a homens doutos é difícil proteger a devida reverência ao papa contra a maledicência e as fortes objeções dos leigos.

82 ª Tese

Eis um exemplo: Por que o papa não tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima' caridade e em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssimo motivo para tanto, quando em troca de vil dinheiro para a construção da catedral de S. Pedro, livra um sem número de almas, logo por motivo bastante Insignificante?

83ª Tese

Outrossim: Por que continuam as exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o dinheiro recebido para o mesmo fim ou não se permite os doadores busquem de novo os benefícios ou pretendas oferecidos em favor dos mortos, visto' ser Injusto continuar a rezar pelos já resgatados?

84ª Tese

Ainda: Que nova piedade de Deus e dó papa é esta, que permite a um ímpio e inimigo resgatar uma alma piedosa e agradável a Deus por amor ao dinheiro e não resgatar esta mesma alma piedosa e querida de sua grande necessidade por livre amor e sem paga?

85ª Tese

Ainda: Por que os cânones de penitencia, que, de fato, faz muito caducaram e morreram pelo desuso, tornam a ser resgatados mediante dinheiro em forma de indulgência como se continuassem bem vivos e em vigor?

86ª Tese

Ainda: Por que o papa, cuja fortuna hoje é mais principesca do que a de qualquer Credo, não prefere edificar a catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fiéis pobres?

87ª Tese

Ainda: Quê ou que parte concede o papa do dinheiro proveniente de indulgências aos que pela penitência completa assiste o direito à indulgência plenária?

88ª Tese

Afinal: Que maior bem poderia receber a Igreja, se o papa, como Já O faz, cem vezes ao dia, concedesse a cada fiel semelhante dispensa e participação da indulgência a título gratuito.

89ª Tese

Visto o papa visar mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que revoga os breves de indulgência outrora por ele concedidos, aos quais atribuía as mesmas virtudes?

90ª Tese

Refutar estes argumentos sagazes dos leigos pelo uso da força e não mediante argumentos da lógica, significa entregar a Igreja e o papa a zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.

91ª Tese

Se a Indulgência fosse apregoada segundo o espírito e sentido do papa, aqueles receios seriam facilmente desfeitos, nem mesmo teriam surgido.

92ª Tese

Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há Paz.

93ª Tese

Abençoados sejam, porém, todos os profetas que dizem à grei de Cristo: Cruz! Cruz! e não há cruz.

94ª Tese

Admoestem-se os cristãos a que se empenhem em seguir sua Cabeça Cristo através do padecimento, morte e inferno.

95ª Tese

E assim esperem mais entrar no Reino dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações infundadas.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Igreja Lusitana (Anglicana), Igreja Luterana e Igreja Pentecostal

Vejam o relatório que eu fiz há no ano passado, sobre as visitas que fiz nestas igrejas:

Igreja Lusitana (Anglicana)

Estive na Igreja Lusitana em Lisboa. Fiquei bastante impressionado e surpreendido com a forma da liturgia que é empregue lá. Até parece que é uma igreja Católica – começando na forma de liturgia que é completamente igual á da Igreja Católica. Desde, as imagens dentro da igreja, o modelo eclesiástico, as roupas usadas pelos reverendos e com uma perspectiva completamente liberal da palavra de Deus.

Eu a constatar aquela realidade, fiquei bastante impressionado com uma certa ausência da Palavra de Deus, mas ao mesmo tempo fiquei estupefacto com forma de organizado e do louvor que foi completamente numa linha tradicional – ou seja, os hinos a forma de estarem e oração, tudo numa linha bastante mente tradicional. Se eu não fosse membro da Igreja Presbiteriana, se calhar, seria membro da Igreja Lusitana (anglicana). Sou apaixonado pela Igreja Lusitana, e me identifico com as doutrinas. De vez enquanto eu frequento os cultos da Igreja Lusitana, e gosto muito.

Igreja Luterana

A igreja luterana que eu fui, é uma igreja conservadora com uma liturgia completamente conservadora, nas igrejas usam as imagens, há eucaristia quase parecido com a igreja Lusitana que índole na igreja Católica. Todavia, já no que toca a palavra, eles tem a Bíblia como a única regra de fé e prática. Ver as coisas em geral, a igreja Luterana, tem poucas influências da igreja Católica. Se tirarmos os usos das imagens, crucifixo, velas e as vestes. Além destas coisas, não temos mais algo que podemos apontar como o de igual à da igreja Católica. Muito embora, com algumas deficiências aos escritos do Martinho Lutero.

A pregação é fiel a palavra. Isto é, o pregador centra toda a sua atenção na palavra durante o culto, que é neste caso a Bíblia Sagrada. Para mim, foi uma excelente experiência, estar ali e poder aprender muito da palavra de Deus. É claro que não concordei com tudo que lá constatei durante a minha visita. Há muitos pontos, nos quais estou estudando, e não actualmente não concordo; mas pelo menos o essencial não foi adulterado, que é neste caso a palavra de Deus. Eu frequento o culto mensalmente na Igreja Luterana, e sou muito edificando quando lá estou.

Igreja Pentecostal

Em todas as visitas que fiz, o da igreja pentecostal foi uma das péssimas experiências que tive. Isso devido, a ausência total da palavra de Deus, mas cingindo unicamente a via de experiência; novas revelações e uma desorganização total no culto. Com ênfase excessiva no louvor. Este por sua vez, não reflecte o louvor sincero ao nosso Deus, mas através com prioridades nas músicas modernas. Sem fundamentos na palavra de Deus. Musicas que considero anti-bíblicos, que não passa de uma forma de satisfação do ego humano. Havia muita exaltação, na pessoa do homem, e tão pouco reverenciavam a Deus. Fiquei bastante triste com aquele cenário todo. Principalmente, com aquelas pessoas que vivem tão-somente pela experiência não naquilo que é ensinado na palavra de Deus. Que Deus tenha misericórdia destes que frequentam esta seita miserável.

Soli Deo Gloria


OBS: Esta imagem em anexo é da Igreja Lusitana (Anglicana) de Portugal, Paroquia S Paulo.

domingo, 30 de agosto de 2009

Introduction to the Protestant Reformed Churches

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Quem sou eu?

Luan Marçal é o meu nome, moro em Lisboa-Portugal. Nasci no Brasil, fui criado no Brasil, vim para Portugal para dar procedimento aos meus estudos, actualmente estudo Teologia no IBP - Instituto Bíblico Português, espero iniciar o curso de direito na UAL – Universidade Autónoma de Lisboa. Sou uma pessoa muito comunicativa e que acima de qualquer coisa acha que o conhecimento é a chave para libertar os homens das garras da ignorância. Eu utilizo msn, orkut, youtube, skype, facebook, entre outros. Se queres se comunicar comigo através desses sítios ou programas é só me falar que eu passo meu contacto, acho mais prudente assim, visto que muitos se utilizam desses dados que deixamos aqui para poder nos ofender, atacar entre outras coisas, ou por até mesmo irmos contra alguma opinião. Eu particularmente estou sendo ameaçado, difamado e perseguido por um velho que se diz “cristão” da Igreja Assembleia de Deus do Porto, por isso, é bom ocultar os dados. Mais se você quer apenas conversar comigo é só me pedir que eu passo, sem problemas.

Eu sou um pessoa que não sou nada, mas, conheço o EU SOU, o Deus que sirvo e Nele posso toda as coisas, sou uma pessoa que tenho muita vontade de ajudar as pessoas... ao longo da minha vida, eu já tive muita coisa... Hoje vivo para servir a Deus, Ele é minha prioridade.

O Luan Marçal é a soma de tudo isso, mas eu definiria que realmente sou somente uma coisa... a minha palavra e nada mais. A palavra que falo, é o que declaro como uma decisão ou afirmativa que eu faço... eu digo que poderei construir muitas coisas, mas somente uma coisa que poderá sobreviver o tempo... a minha honra e junto com elas, minhas palavras também poderão ser perpetuadas pelos tempos... Minhas palavras são a soma de minhas experiências... cada declaração ou texto são escritos com o que sinto... e cada vez mais isso tem se tornado verdade e quero que sempre serei lembrado como uma pessoa honrada e palavra.

Adoro conversar e discutir - construtivamente - assuntos relacionados a Teologia. Sou bastante polémico LOL. Eu sou calvinista! Entendo que a síntese calvinista é a melhor expressão da teologia bíblica. Geralmente quando digo isto suscito duas atitudes entre as pessoas que me ouvem: indiferença que conduz a intolerância e alegre alívio que conduz a convivência. Quando me converti em uma Igreja chamada "Igreja de Cristo" no Brasil cujo pastor tinha uma posição mais arminiana - não tinham nenhuma ideia do que vinha a ser calvinismo. O meu contacto com o calvinismo se deu a pouco tempo, e em particular após ter contacto com pregações de cunho reformado através do site da editora fiel, onde os fundamentos reformados foram ganhando sentido em minha vida… Através de um amigo no seminário onde estudo, foi onde conheci o Calvinismo e percebi que é um sistema bíblica. Sou calvinista porque creio plenamente na soberania de Deus. Eu sou calvinista não só pelo T mas pelo U, L, I e P. Em suma, sou calvinista porque a Bíblia ensina assim e um dia eu decidi deixar de lado o que "eu achava" para crer no que Deus ensina.

Eu baseio em 1 frase o porque sou Calvinista: Sou calvinista porque, este sistema doutrinário é fiel às Escrituras Sagradas, exaltando o Criador acima de tudo e de todos!

Sola Escriptra, Sola Fide, Sola Gracia, Solus Cristus, Sole Deo Gloria

Ps: Esse meu desenho foi feito pela Miriam Almeida. Houve uma certa ironia no desenho, vocês devem perceber LOL, mas está fixe.

Palavras de Calvino

Em 28 de Abril de 1564, um mês antes de morrer, tendo os ministros de Genebra à sua volta, Calvino despede-se; a certa altura ele afirma:

"A respeito de minha doutrina, ensinei fielmente e Deus me deu a graça de escrever. Fiz isso do modo mais fiel possível e nunca corrompi uma só passagem das Escrituras, nem conscientemente as distorci. Quando fui tentado a requintes, resisti à tentação e sempre estudei a simplicidade. Nunca escrevi nada com ódio de alguém, mas sempre coloquei fielmente diante de mim o que julguei ser a glória de Deus. [...] Esquecia-me de um ponto: peço-lhes que não façam mudanças, nem inovem. As pessoas muitas vezes pedem novidade. Não que eu queira por minha própria causa, por ambição, a permanência do que estabeleci, e que o povo o conserve sem desejar algo melhor; mas porque as mundanas são perigosas, e às vezes nocivas..."
João Calvino, Calvin: Textes Choisis par Charles Gagnebin, p. 42-43.

Solus Cristus

sábado, 15 de agosto de 2009

Cervejas Reformadas



E enquanto eu dormia ou bebia a cerveja de Wittenberg junto de meus amigos Philipe e Amsdorf, a Palavra enfraquecia o papado de forma tão grandiosa que nenhum príncipe ou imperador conseguiu infligir-lhes tantas derrotas. Eu nada fiz: a Palavra fez tudo.” (Martinho Lutero, LW 51.77)
"Fazes crescer capim para o gado e verduras e cereais para as pessoas, que assim tiram da terra o seu alimento, o vinho, que alegra o coração do homem, o azeite, que lhe dá brilho ao rosto, e o alimento, que lhe sustém as forças. [...]Que variedade, SENHOR, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das tuas riquezas." (João Calvino. Salmos 104.14,15,24)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Lutero e Calvino

Já tem algum tempo que estou tentando entender a diferença entre Lutero e João Calvino. Minha conclusão é que as diferenças são mínimas. Olha, eu não sou um profundo conhecedor da biografia desses homens, mas pelo que já li, ainda não vi nenhuma diferença entre Lutero e Calvino; antes sei que Lutero era a favor e pregava sobre temas hoje que nós chamamos de "calvinismo", como: Eleição, Depravação Total, Predestinação... a grande diferença existe entre seus seguidores (existe uma grande diferença entre um calvinista e um luterano).
Basicamente existem três diferenças na teologia de Calvino e Lutero: Sacramentos, Liturgia e Predestinação.

Na parte Sacramental Lutero acreditava que o Espírito de Jesus se fazia presente nos elementos da ceia ocorrendo uma transformação espiritual (consubstanciação). Calvino acreditava em um simbolismo no qual Cristo se fazia presente em nossos corações. A posição dos sacramentos dos luteranos gerou alguns conflitos entre luteranos e reformados no séc XVII e XVIII mas isso é assunto para outros artigos.

A liturgia para Lutero e os luteranos é mais parecida com a ICAR, mais "ritualistas", e mais complexa. Os luteranos dividem de forma muito clara o culto em duas partes: a parte sacrificial e sacramental. Os calvinistas optam por uma liturgia simples, digamos mais "leve".

A predestinação que Calvino acreditava era a dupla, onde Deus predestina alguns para o céu e alguns para o inferno, no qual não existe meio-termo. Lutero acreditava na predestinação única, (ou una) que o homem era eleito (eles chamam de eleição lol) e o que não fosse eleito poderia ser eleito pela fé (embora assumindo que isso seria muito difícil) citam como exemplo o rei Ezequias que pela fé não morreu, e com isso mudou sua predestinação, que era a morte.

No quesito administrativo Lutero defendia o regime episcopal e Calvino o presbiteriano.

Tanto Calvino quanto Lutero tinham como base o retorno a igreja cristã primitiva e seu expoente era Santo Agostinho. Lutero defendia a ideia de reforma e Calvino acreditava que a ICAR estava "podre" demais para ser reformada. Mas a teologia dos dois são 98% parecidas, e tinham um grande respeito um pelo outro (já Lutero não se dava com Zwinglio e Lutero e Calvino eram contra os anabaptistas). Lutero era mais povão, Calvino era mais académico mas os dois são um dos maiores nomes de toda a teologia.

P.S. Calvino jamais defendeu a burguesia como muitos pensam, essa ideia de "calvinismo burguês" surge com os puritanos no séc XVII.

Soli Deo gloria

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Será que teremos uma nova crise de 1929?



A Grande Depressão ou a "Crise de 1929"? Devido a grande depressão em 1929 foi formado o III Reich com a ascensão do "fuhrer Adolf Hitler" e alguns anos depois começa a segunda guerra mundial.

Não muito diferente do que esta acontecendo agora, os bancos quebrarão, a as bolsas da maioria dos países estavam em baixa constante, exemplo foi a de bolsa de Nova Iorque que chegou a perdas de até 90%. Essa situação fez com que o País também retirasse seus investimentos de outros países, isso provocou automaticamente a transferência da crise para o mundo todo.

Houve uma imensa depressão económica nos Estados Unidos, o crédito não mais existia e o desemprego bateu recordes históricos, a fome e a miséria era vista em todos os países. A exemplo do Canadá foi somente com a entrada da maioria dos países na Segunda Guerra Mundial, em 1939, que os efeitos da Grande Depressão teriam o início do seu fim.

Como os Estados Unidos estavam saindo da guerra em melhores condições financeiras eles se tornaram o principal país no Banco Mundial, que tinha maior influência e maiores vantagens.

O controlo do Banco Mundial e do FMI pelos Estados Unidos serviu para que este país se tornasse a potência dominante no sistema financeiro e monetário mundial.
Nos dias de hoje, em que a moeda norte-americana se encontra a beira do colapso total, é possível ver a queda da hegemonia dos Estados Unidos que teve sua ascensão depois da Segunda Guerra Mundial com o tratado de Bretton Woods.

A crise actual é de proporções comparadas à da grande crise de depressão da década de 1930, provocada pelo crash da bolsa de 1929. A crise norte-americana com o seu endividamento impagável prevê uma recessão sem precedentes na história económica mundial, que levará o capitalismo a mais um baque irreversível.
Agora pergunto:

Estamos as prévias de iniciar a maior das guerras?
Existe alguma conspiração para inicia-la?

Sola Gracia

sábado, 29 de novembro de 2008

O Protestantismo em Portugal

Três dos maiores grupos denominacionais portugueses (Pentecostais, Baptistas e Irmãos) integram a Aliança Evangélica Portuguesa (A.E.P.), cujos estatutos foram oficialmente reconhecidos em 1935, quando ainda era uma pequena associação de membros individuais (só após 1974, depois de uma “refundação”, se tornou representante de grupos denominacionais); em termos de relações internacionais, a A.E.P. está filiada na Aliança Evangélica Europeia e na Aliança Evangélica Mundial, que são constituídas por grupos denominacionais congéneres. No entanto, cada um dos grupos denominacionais está longe de ser unitário, em grande medida pelo facto de serem herdeiros da tradição congregacional; mesmo as congregações que prescindem parcialmente da sua autonomia associando-se a organismos denominacionais de cooperação ou representação não podem ser consideradas integrantes de uma “Igreja” nacional com unidade institucional (assim, por exemplo, a Convenção Baptista Portuguesa, C.B.P., não é uma Igreja nacional mas a reunião das congregações baptistas que nela se fazem representar). No universo das congregações protestantes de muitas denominações conhecidas em Portugal (ver, para a maioria, ALMEIDA, Prontuário), a maior parte integra o grupo pentecostal, dentro do qual as Assembleias de Deus são a esmagadora maioria: a Convenção das Assembleias de Deus em Portugal reúne mais de quatro centenas de congregações, distribuindo-se as restantes por dez outras denominações da A.E.P. (Assembleia de Deus Missionária, Assembleia de Deus Universal, Nova Vida, Igreja Apostólica, Igreja de Deus, Associação das Igrejas de Cristo, Igreja de Deus Pentecostal, Igrejas do Livramento, Igreja Metodista Wesleyana e Vida Abundante) e duas não-filiadas (a Congregação Cristã em Portugal, com cerca de cem congregações, e a Missão Evangélica Maranata, com quinze). Os Baptistas são o segundo maior grupo, estando as suas várias organizações integradas na A.E.P.: a maioria está reunida na C.B.P., que representa nove dezenas de congregações, seguindo-se a A.I.B.P. com treze, a Igreja Baptista de Carreiros (doze congregações no norte), a Associação dos Baptistas para o Evangelismo Mundial (ramo da organização internacional com o mesmo nome, com dez congregações) e dezasseis congregações independentes. Os Irmãos, por seu lado, são um conjunto de mais de cem congregações que cooperam na Comunhão de Igrejas dos Irmãos de Portugal e, tal como os Baptistas, têm organizações vocacionadas para o apoio às várias congregações dentro do seu grupo denominacional, como uma Comissão Missionária que ajuda o trabalho dos obreiros e os organismos juvenis no norte e no sul; entre os Baptistas, existe desde 1945 a Associação Baptista de Evangelização que dá apoio humano e logístico às congregações, tal como a Associação Baptista do Norte e o Grupo Missionário Evangélico da Conservative Baptist Foreign Mission Society dos Estados Unidos da América. Existe ainda, desde 1976, uma Ordem de Pastores Baptistas que realiza retiros, seminários e, em geral, visa a formação do corpo ministerial do seu grupo denominacional. No conjunto da A.E.P., além destes grupos, existe pouco mais de uma centena de congregações que se distribuem por várias pequenas denominações, de que se destacam a Acção Bíblica (com perto de duas dezenas de congregações, está em Portugal desde a década de 1930 e dedica-se em grande medida à colportagem), a Igreja do Nazareno (com cerca de vinte congregações, evangeliza em Portugal desde 1973), a Igreja Evangélica de Filadélfia (iniciada em 1960, tem cerca de duas dezenas de congregações sobretudo orientadas para a evangelização da etnia cigana), o Exército de Salvação (instalado em Portugal em 1972, conta oito congregações), a Igreja Evangélica Luterana Portuguesa (fundada em 1959 a partir do trabalho missionário de Rudolfo Hasse, tem apenas três congregações) e um grupo de comunidades congregacionalistas que não se chegou a ligar aos Presbiterianos, reunido na União das Igrejas Evangélicas Congregacionais Portuguesas (dezoito congregações no centro e sul do País). Fora da A.E.P., além das duas denominações pentecostais já referidas, estão algumas centenas de congregações, das quais mais de cem pertencem à União Portuguesa dos Adventistas do Sétimo Dia e mais de cinco dezenas à Igreja Cristã Maná (denominação de origem portuguesa fundada em 1984 e dirigida pelo pastor Jorge Manuel Guerra Tadeu, é um dos grupos pentecostais mais bem sucedidos depois das Assembleias de Deus). As Testemunhas de Jeová reúnem hoje (segundo números por si fornecidos) cerca de cem mil fiéis em Portugal, dos quais metade serão membros activos das comunidades locais; estas, cerca de 700 actualmente, estão presentes em praticamente todos os concelhos do continente e das regiões insulares. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que tem um trabalho missionário de cerca de 25 anos em Portugal, tem vindo também a implantar-se no País. No campo pentecostal, a Igreja Universal do Reino de Deus, de raiz brasileira, introduziu, mais recentemente, uma original evangelização de grande visibilidade, através de meios de comunicação audiovisual e grandes assembleias de fiéis, conseguindo um crescimento rápido e substancial. O outro organismo de cooperação e representação interdenominacional existente em Portugal é o Conselho Português de Igrejas Cristãs (C.O.P.I.C.) que reúne as três Igrejas sinodais, I.L.C.A.E. (episcopaliana), I.E.P.P. (presbiteriana) e I.E.M.P. (metodista) desde 1971 e representa o sector protestante mais sintonizado com o movimento ecuménico internacional (está integrado no Conselho Mundial de Igrejas); entre as três denominações que o compõem, o C.O.P.I.C. representa pouco mais de setenta congregações, das quais cerca de metade são presbiterianas, um quarto metodistas e outro quarto episcopalianas – cada uma das três Igrejas tem uma unidade institucional nacional em que as várias congregações integram um corpo eclesial uno sujeito a um Sínodo que representa clérigos e leigos e elege o governo colegial da Igreja (daí a designação de “Igrejas sinodais”). A I.L.C.A.E. é a única destas denominações que reconhece e mantém na ordenação episcopal a continuidade histórica da Sucessão Apostólica, estando unida à Comunhão Velho-Católica desde 1965 e, desde a sua fundação, à Comunhão Anglicana a que, entretanto, só aderiu formalmente em 1980. Estão ainda presentes em Portugal, de há longa data, várias capelanias protestantes estrangeiras, as mais importantes das quais na capital: a Igreja Evangélica Alemã (luterana, reconhecida em 1761), a Igreja da Escócia (presbiteriana) e a anglicana Igreja de São Jorge.

Fonte:

[«Protestantismo» (vol. P-V-Apêndices, pp. 75-85), Dicionário de História Religiosa de Portugal (dir. Carlos Moreira Azevedo), Lisboa: Círculo de Leitores, 2000-2001.]